quarta-feira, 4 de abril de 2012
E quando não restar saída solução
ou sanidade
Deus livre da pretensão de ser inesquecível!
contente de si sendo memória.
refluxo do eterno e fragmento de vida. recorte.
lembrável, é verdade
mas também
esquecível.
quarta-feira, 7 de março de 2012
I
Poetas não se vestem de poeta
como médicos que saem a trabalhar
cheios de si em
trajes brancos .
Poetas não se vestem de poeta
como fazem os juristas
pomposos em
roupas abestadas .
Não se vestem de poeta
com a gente
simples
em uniformes - cara do patrão, cara da empresa .
Muito menos se vestem de poeta
como os ansiosos pelos ditames da última
moda .
Não, poetas não .
II
Poetas não se vestem de poeta
porque a sombra do cajueiro
era o repouso mais agradável do
CCSo e em seu lugar
construíram uma rampa
porque sentar na ágora do
CCH te faz parecer mais sábio
porque, até hoje, a PedeGinja
nunca tocou na UFMA ...
Poetas não se vestem de poeta
porque as rodas-de-samba sempre
são redondas no quintal lá de casa
porque as noites no INCULCAAR
sempre serão mágicas
porque as Confrarias vão rolar até que
no horizonte
o céu se distingua do mar ...
Poetas não se vestem de poeta
porque teu andar de lado
pulante e altivo
se tornou fotografia
porque a fita lilás em teu braço forte
te faz parecer frágil
porque os lençóis suados e quentes
ainda exalam nossos odores ...
Poetas não se vestem de poeta
porque ______________________________
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III
Poetas saem às ruas .
ou ficam em casa .
nus .
quinta-feira, 1 de março de 2012
Passara tanto fluxo
tanto sentimento
e foram só uns quatro tempos
Uns quatro mil
momentos
para não enquadrar
o tempo
em dias que me atormento
E quanta poesia
quanto afago
visitei
E quanto tuas danças
me embalam as lembranças
E todos os teus laços
que desato a sorrir
e todos os instantes
que vivi dentro de ti
Passara tanto fluxo
e tanto sentimento
enfim,
só foram quatro
tempos
.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Que lugar ingrato!
Que lugar canalha!
Eu que te falo
eu que te vejo
e tu que parada me tem
em mãos.
Que lugar canalha!
que lugar ingrato!
E se calo
teu silêncio môco me perturba
mais do que qualquer carão.
Sou eu o lugar de tua carência
de teu segundo frágil que não volta em dias
do vácuo doído que o outro deixou...
-É tudo pouco pelo meu sossego!
Eu quero o desejo castrado
que te faz formigar
quero ser o motivo
de tua insônia constante
quero o vôo mais alto
que teus pensamentos!
Voa comigo
e não falo nada em vão...
Vem, que calo um silêncio
mais sábio que todos os monges da terra
que todos os poetas da ágora
- Que todas as almas depenadas de paixão!
Mas tem que vir
e me dar a mão
ou, então, me enterra de vez
neste lugar
ingrato!
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
Presente,
colado bucho a bucho,
revejo todo o desejo que ganha ímpeto.
O bananal é estrume
todo aire é alento
nosso absurdo
é patente.
Vitórias-régias gigantes?
Borboletas azuis a nos guiar rio abaixo?
Desacato à realidade!
Tocarão todas as baladas
e todas as badaladas of anyone
e pouco importará se
o lado é b ou a.
As cóssegas machucam
como um soco nos culhões
a doer até os recônditos de minha
alma masculina.
Ainda assim,
com ternura,
quis comê-la a cada dedo
que encosta em mim.
Entre o bom dia
e o boa noite
Uma lua, chuva e loucura.
O sol veio nascendo preguiçoso
como se dissesse
que o dia não precisa ser alegre.
(Na verdade, parece saber bem quão belos são os dias nublados).
Logo cedo me perfumo
E passeio de mãos dadas com minha querida
Inveja.
Incompetências e frustrações aparecem
bambas em lances súbitos
e, em vão,
corro a ler um livro que
não me deixará mais
sábio.
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Vi uma moça passando
lenta como um cigarro que queima sem vento
quis que fosse
e não era
tu.
